CadÚnico: o que é, quem pode se inscrever e para que serve
Entenda o Cadastro Único: quem pode entrar, como calcular a renda por pessoa, onde se inscrever de graça, que documentos levar e quando atualizar os dados.
O CadÚnico, nome curto do Cadastro Único para Programas Sociais, é o registro que o governo usa para saber quem são e como vivem as famílias de baixa renda. Pode entrar a família com renda de até meio salário mínimo por pessoa, e a inscrição é gratuita, feita pessoalmente no CRAS ou no posto da prefeitura. Estar no cadastro não garante nenhum benefício, mas, segundo o MDS, ele é a porta de entrada para mais de 40 programas sociais.
Para que o cadastro serve
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o Cadastro Único é a porta de entrada para mais de 40 programas sociais federais, estaduais e municipais. Entre os federais que usam o cadastro estão:
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Tarifa Social de Energia Elétrica (veja o guia sobre a tarifa social de energia);
- Carteira da Pessoa Idosa;
- Seguro-Defeso, para pescadores artesanais;
- programas de moradia como o Minha Casa, Minha Vida, que faz a seleção por sistema próprio.
O cadastro também é exigido para pagar o INSS como facultativo baixa renda, com 5% do salário mínimo. O guia sobre INSS para autônomo e MEI mostra as condições.
Cada programa tem regra própria. O cadastro é o primeiro passo; quem decide se a família recebe é o programa, depois de analisar os dados.
Quem pode se inscrever
O critério principal está no Decreto 11.016/2022: família de baixa renda é a que tem renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo. Famílias com renda maior também podem entrar quando o cadastro for exigido por algum programa ou serviço específico.
Para o cadastro, família é o grupo de pessoas que mora na mesma casa e divide renda e despesas. Quem mora sozinho também pode se cadastrar, como família de uma pessoa só. Cada pessoa só pode estar em uma família.
Povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais e pessoas em situação de rua têm procedimentos diferenciados de cadastramento.
Como fazer a conta da renda por pessoa
A renda familiar é a soma dos rendimentos brutos de todos da casa. Pelo decreto, ficam fora da soma, entre outros, os auxílios assistenciais eventuais e temporários e os valores de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. O BPC é a exceção: ele entra na conta. Depois, divide-se o total pelo número de pessoas.
Imagine uma casa com quatro pessoas: a mãe ganha R$ 1.800 numa loja e o pai faz bicos que rendem, em média, R$ 600 por mês.
- Renda total: R$ 1.800 + R$ 600 = R$ 2.400.
- Renda por pessoa: R$ 2.400 ÷ 4 = R$ 600.
Agora compare com meio salário mínimo do ano. O valor do salário mínimo é definido todo ano pelo governo federal; supondo, só para a conta, um mínimo de R$ 1.500, a metade seria R$ 750, e essa família estaria dentro do critério. Faça a comparação com o valor em vigor.
Declare a renda real, inclusive a de bico. O governo cruza o cadastro com outras bases, como o CNIS (o registro de vínculos e benefícios do INSS), e dados que não batem podem levar a família a um processo de averiguação cadastral.
Onde se inscrever e quais documentos levar
O cadastro é feito pessoalmente, num posto de atendimento do município, como o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Não precisa ir a família inteira. Vai o responsável familiar: uma pessoa da casa com 16 anos ou mais, de preferência mulher, que responde pelas informações de todos.
Leve, segundo o MDS e a página do serviço no gov.br:
- CPF de todas as pessoas da família (obrigatório; sem ele o cadastro fica "aguardando CPF" e pode ser excluído se não for regularizado no prazo);
- documento de identificação com foto do responsável;
- comprovante de residência, de preferência conta de luz; se não tiver, uma declaração de onde mora;
- um documento de cada morador, como certidão de nascimento ou de casamento, carteira de identidade ou carteira de trabalho.
A entrevista leva cerca de uma hora. Se não souber onde fica o posto, procure o CRAS mais perto ou o setor do Bolsa Família da prefeitura.
Ninguém pode cobrar pela inscrição
A inscrição e a atualização são gratuitas. Desconfie de quem pede dinheiro para "garantir vaga", "liberar benefício" ou "adiantar a fila", e de mensagens com links para cadastro. A inscrição é feita no posto da prefeitura; o aplicativo Cadastro Único e o site cadunico.dataprev.gov.br servem para consultar os dados. O Cada Real não é site do governo e não faz inscrição: só explica as regras. Para dúvidas, o MDS atende pelo telefone 121, de graça. O guia sobre golpes do Pix mostra o que fazer se você já pagou alguém.
Atualização: a cada dois anos ou quando algo mudar
A atualização é obrigatória:
- a cada 24 meses, mesmo que nada tenha mudado;
- sempre que mudar endereço, renda ou trabalho, quem mora na casa, escola das crianças ou situação de saúde e benefícios.
Segundo o MDS, famílias podem ser chamadas para atualizar a partir de 18 meses da última atualização. Cadastro parado pode levar a bloqueio, suspensão ou cancelamento de benefícios e, em casos extremos, à exclusão. Dá para conferir a data limite no aplicativo Cadastro Único, no site cadunico.dataprev.gov.br ou no CRAS.
Próximos passos
- Some a renda bruta de todos da casa e divida pelo número de pessoas.
- Separe o CPF de cada morador e o comprovante de residência.
- Procure o CRAS ou o posto do Cadastro Único da sua cidade para marcar a entrevista.
- Se já está inscrito, consulte no aplicativo a data limite da próxima atualização.
- Use o cadastro em dia para checar os programas que podem servir à sua família, como a tarifa social de energia.
Perguntas frequentes
Precisa pagar para se inscrever no CadÚnico?
Estar no CadÚnico garante o Bolsa Família?
Quem mora sozinho pode se cadastrar?
De quanto em quanto tempo preciso atualizar?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralOs números do Banco Central não carregaram desta vez. Veja direto no site do Banco Central.
Dados do Banco Central do Brasil (séries SGS), buscados ao abrir a página.
Leia também
Mais guias de Direitos e impostos e de outros temas.
INSS para autônomo e MEI: como contribuir pagando menos
Planos de 20%, 11% e 5% do INSS para autônomo, MEI e facultativo baixa renda: o que cada um cobre, o que não cobre, como pagar e como conferir no Meu INSS.
Demitido sem justa causa: o que você recebe e como usar o dinheiro
Lista das verbas da demissão sem justa causa, o prazo de 10 dias para a empresa pagar, FGTS, seguro-desemprego e um plano para o dinheiro durar mais.
Poupança ainda vale a pena para quem guarda pouco?
Entenda como a poupança rende pela regra do Banco Central, o efeito da data de aniversário e quando outra opção conservadora pode render mais.